Visita Guiada ao Memorial do Bordado

O Coletivo Nacional de Costura Histórica (representado dessa vez por Juliana Lopes, Maria Luiza, Teddy Le Bunny) participou de uma visita guiada ao Memorial do Bordado, localizado em Belo Horizonte - Minas Gerais.

O Memorial do Bordado possivelmente possui o maior acervo referente a bordados do país! O acervo conta com diversas peças de vestuário feminino e infantil, principalmente de meados do século XX até a atualidade, além de amostras de pontos de bordado e revistas de moda antigas. As visitas precisam ser agendadas e são guiadas pela dona do espaço, a Maria do Carmo.

A coleção inicialmente tratava-se do acervo pessoal da Maria do Carmo e servia como apoio para os cursos de artes manuais realizados no Maria Arte Ofício, mas conforme o crescimento do acervo o Memorial foi fundado, para preservar e pesquisar essas peças.

A visita se inicia com uma apresentação da história do espaço e uma explicação de como funciona o processo museológico do Memorial. Diga-se de passagem que apesar de não haver um museológo a serviço da instituição, as fichas das peças e o livro de tombamento são inspirados nos padrões de museus como V&A Museum.
Depois de ver como as peças são recebidas e catalogadas, exploramos parte do acervo, começando por camisolas de meados de 1950 e 60, onde discurimos sobre as técnicas e materiais utilizados.




Uma parte muito interessante do Memorial é que é possível avaliar e tocar as peças em mãos, sentir a textura dos tecidos, olhar os acabamentos e técnicas utilizadas bem de perto...é uma oportunidade muito enriquecedora!

Outra técnica que estudamos e exploramos foi o de bordado em pedraria, exemplificado nesse conjunto de saia e blusa:

A coleção de roupas infantis é um mimo a parte, não tem como não se encantar com todos os detalhes que estão sendo preservados e documentados no acervo. Destaco aqui esse vestido, que possui bordados sobre uma técnica chamada smocking, que modela o tecido a partir de pequenas pregas costuradas em pontos estratégicos:


Eu ainda estou obcecada por inserções de renda desde meu último projeto então reparei logo nessa camisola do início do século XX:

Teddy se encantou por esse conjunto de camisola e penhoir vintages:

Talvez tenham reparado nas fotos anteriores que existem algumas caixas numeradas. Nem todas as peças estão penduradas, boa parte delas está em caixas, separadas por temas, técnicas ou tipo de peça. Uma das caixas que nosso grupo observou foi a de calcinhas!

Haviam peças de décadas variadas, exemplificando diversos tipos de modelagens, técnicas e materiais. Maria do Carmo também apresentava a história de alguma delas. Como dito por ela, o Memorial não existe apenas para preservar as peças, mas também para preservar a história de mulheres que confeccionavam e utilizavam todo esse trabalho manual que não costuma ser tão valorizado em outras instituições.


Como o Memorial nasceu como um material de apoio de uma escola, o acervo conta também com inúmeros livros, manuais, riscos e caderno de pontos. A maior parte desses itens está no Maria Arte e Ofício, mas pudemos ver alguns exemplos no memorial:


Uma outra parte muito interessante do acervo do Memorial é que ele é tão numeroso que as vezes doações diferentes se complementam, como esse exercício de renda que conseguimos visualizar também no Manual de Bordado da Singer, que foi doado em outro momento:


Mas um material que ganhou nossos corações foi essa encadernação de A Estação, com edições de 1899 a meados de 1910s. Que prazer foi poder ver em mãos as fashion plates que salvamos em pastas de Pinterest!



Como mencionado, o Maria Arte e Ofícios é uma escola de artes manuais também fundada por Maria do Carmo. Lá as estudantes também participam de estudos que são conduzidos a partir de um tema pré determinado. Conferimos o trabalho dos estudantes recriando ilustrações de Alberto da Veiga Guignard na forma de bordados.


O Memorial do Bordado é mantido exclusivamente por doações e com a renda das visitas guiadas, sem apoio governamental ou de iniciativa privada. O próprio acervo também é construído a partir de doações, e tivemos a oportunidade de conhecer Maria do Carmo (sim, homônima, rs), que doou alguns vestidos que foram bordados por sua mãe quando ela era pequena.

Os vestidos eram bordados com ilustrações referenciando contos de fadas, e ficamos absolutamente encantados com os detalhes!


O Memorial do Bordado busca recursos para conquistar um espaço maior para o acervo e contratar um historiador e restaurador para cuidar e pesquisar esse acervo riquíssimo. Caso queria apoiar, deixo abaixo os contatos da instituição:

Foi um dia muito gostoso de trocas e pesquisas, agradeço a todos que participaram e espero que muito em breve possamos organizar mais visitas aos acervos de História da Moda Brasil à fora!



Amei ler sobre a visita, Juliana e me sinto pesarosa de não poder ter ido com vocês. Mas estarei numa próxima visita. Tenho que dizer algo, esta dona Maria do Carmo é realmente uma mulher admirável, mantendo todo este acerco praticamente por conta própria. Parabéns!
Fiquei ainda mais animado para visitar o museu! Amei o artigo!