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Parte I- Espartilho é coisa de menino também!?!? Vestuário na primeira infância no século XVIII

há 11 minutos
3 min de leitura

Recentemente, me surpreendi ao descobrir que crianças pequenas -tanto meninas quanto meninos - usavam espartilhos. Hoje em dia associamos a peça ao universo feminino, mas em épocas anteriores a nossa, a distinção de gênero por meio do vestuário na primeira infância não era uma preocupação para os pais. Este entendimento vinha de muito antes e perdurou tempos depois do século XVIII. O vestuário infantil, mesmo em tenra idade, é, em vários aspectos, confeccionados para serem o mais parecido possível ao de adultos. Assim sendo, além do já mencionado espartilho, por questões práticas, os meninos também usavam vestidos e os complementos exteriores como touca, aventais, golas, etc. que na atualidade associaríamos como sendo "coisas de meninas". Outro aspecto da aparência infantil que segue está lógica é em relação aos cabelos que nao seriam cortados neste período da vida.

A vista disso, somente por meio do vestuário e da aparência física nos torna dificil distinguir o gênero de nascimento da criança pequena do passado. É somente por meros detalhes que podemos distinguir um do outro, e as vezes nem isso! Na imagem abaixo qual é o menino e qual será a menina? Ou será que são dois meninos?

A mudança no vestuário e algum corte no cabelo somente aconteceria por meio de uma cerimônia em que eles eram "brechados"  e receberiam roupas que atestavam sua passagem de menino a homem. Isso ocorreria entre os quatro e sete anos, dependendo do tamanho, saúde, autonomia da criança e coveniencia da família, portanto, mais para frente se a mãe conseguisse postergar. Então, é partir daí, que as batas, vestidos rendados ou não, espartilhos, toucas e aventais passam a ser usados somente por meninas.

Estas foram algumas das coisas que aprendi ao pesquisar para realizar um projeto pessoal de vestuário infantil. Minha curiosidade sobre a indumentária do passado vai além de coisas que somente eu possa vestir, e quando soube do fato de o vestuário infantil se assemelhar ao de adultos fiquei intrigada de como tudo isso funcionaria na prática para uma criança de verdade. Porque, apesar do entendimento geral da época de que crianças deveriam começar assumir responsabilidades adultas o mais cedo possível, o corpo de uma criança - quanto mais nova for- não é nada parecido ao de um adulto. Mudanças em relação a esta mentalidade ocorrerá aos poucos a partir da segunda metade do século quando começam a ser discutidas novas noções de educação e infância e aprofundadas ao longo dos séculos seguintes.

Movida por aspectos tão diferentes em comparação com o nosso tempo, resolvi experimentar a confecção de um traje infantil simples para uma menina de seis anos. Destaco que não se trata de uma pesquisa aprofundada, mas o resultado de uma curiosidade que me inquietou de tal forma e que não aguentei deixar somente na imaginação.

Quis ver, materialmente, a partir do que me era possível em termos de habilidade e materiais disponíveis, até que ponto o modo como eu modelo e costuro um espartilho e as outas peças de vestuário para uma mulher adulta também se aplicaria ao de uma criança. Será que realmente são tão equivalentes assim, considerando que os corpos não tem nada de parecidos? E de modo como está criança se sentiria ao vestir todas as camadas necessárias? Até que ponto estaria confortável para ela?

Mas estas respostas sobre o que é real e o que imaginação ficaram para as partes II e III com o processo de confecção e o relato de experimentação.



 
 
 

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