Parte III: Traje no corpo: Relato de Experimentação
Peças interiores e saia
Vestir o traje foi muito interessante tanto por poder ver o que funcionou ou não em relação a modelagem e também ouvir diretamente da criança sobre como ela sentia ao vestir cada camada do traje.
Começamos pelas peças interiores (chemise e anágua) e a saia externa. A modelagem ficou adequada e proporcional em relação ao corpo dela. Apesar de serem confortáveis ela estranhou um pouco a quantidade de camadas e o comprimento da saia, que é muito diferente em relação as roupas que ela costuma usar no dia a dia.
Espartilho

O espartilho que usei como referência de modelo foi este mas, acrescentei alças e a já mencionada abertura na frente.
Para a época há todo um entendimento moral, estético e, por incrível que pareça, de saúde que envolve o uso do espartilho. Neste entendimento os espartilhos ajudariam a apoiar o desenvolvimento saudável da coluna prevenindo que esta se deformasse, além de que, com o uso regular desde tenra idade as crianças também adquiririram uma postura reta, elegante e digna que uma pessoa "respeitável" deveria ter. Portanto, seu uso a uma idade tão jovem tinha como objetivo moldar o corpo fisica e moralmente. E para as meninas que seguiriam usando ao longo de toda a sua vida começar cedo eram importante para acostuma-las a ter constantemente algo ajustado ao corpo. E este aspecto pude comprovar na prática.
A princípio vestiu achando curioso mas no meio do caminho percebi que ela achou pouco cansativo ter que esperar fazer as amarrações das aberturas e regular as alças fora o que já tinha esperado nas peças interiores. Não é que o tempo gasto em vestir-se fosse muito longo mas é diferente em comparação ao que costuma gastar com as roupas de nosso tempo.
Um outro aspecto é em relação ao tipo de tecido. Na atualidade, em sua maioria, a malha ou tecidos com certo grau de elastano é o mais comum ao guarda-roupa infantil, por ser mais confortável e fácil de vestir e estas são o oposto. O tecido plano, ou seja, sem elasticidade, foi utilizado em todas as peças como seria feito no passado. Apesar disso, ressalto que o espartilho mesmo rente ao corpo, não apertava desconfortavelmente nenhuma parte de seu corpinho.
Isto posto, o que ela achou mais estranho ao vestir a peça foi em relação a dobrar o corpo para frente, já que, pelo posicionamento das barbatanas, o corpo não pode ser dobrado na linha da barriga com a mesma facilidade. Você consegue se projetar e abaixar deixando o tronco ereto mas outras posturas mais relaxadas ficam limitadas.

Minha conclusão é que está etapa de acostumar desde cedo era muito necessária para as pessoas dos séculos passados, porque se deixar para mais tarde seria muito mais desgastante para a criança que não passou por este processo de aclimatação. Executar este pequeno projeto me deu uma perspectiva mais clara acerca das razões de vestir as crianças desta maneira desde cedo.
Para não cometermos anacronismos, é importante evitar fazer a juízo de valor sobre o trato infantil da época. As várias concepções da época são inegávelmente contrárias ao que pensamos hoje em dia mas todos este projeto me ajudou a entender que as vestimentas por serem neste estilo q demandavam camadas e estruturas acostumar-se a elas o mais cedo possível era necessário ser feito desde cedo mas nem por isso tudo era feito de uma vez mas pouco a pouco considerando a o gênero e as expectativas e circunstâncias de cada classe social.




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